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Análise eletromiográfica do agachamento

Nesse estudo eletromiográfico do agachamento, você poderá entender melhor qual grupo muscular trabalha com mais eficácia em cada uma das variações desse exercício.

A cada dia que passa, o agachamento vem ganhando mais força na musculação, já que inúmeras pesquisas demonstram que, ao contrário do que o censo popular acredita, que além de ser altamente eficiente no recrutamento muscular, o agachamento bem feito, não é lesivo. Lógico que certas pessoas com determinados casos tem de evitar este exercício, mas são casos isolados. As pessoas sem nenhuma lesão ou patologia podem sim usar o agachamento de maneira tranquila. Assim como mencionei neste artigo (Agachamento, herói ou vilão?) o agachamento tem muito mais benefícios do que malefícios.

Por isso, é muito importante sabermos sua solicitação muscular e em que nível ela ocorre. Como existem diversas variações deste exercício, vou me ater ao agachamento clássico, já que cada variação tem um enfoque diferente.

Para melhor entender como funcionam os exames eletromiográficos, Enoka (2000) explica que

“A análise eletromiográfica leva em conta a ativação muscular nas diferentes fases do movimento e qual é a musculatura que recebe mais atividade elétrica em cada etapa do movimento”.

Desta forma, os estudos de eletromiografia conseguem mostrar qual o melhor trabalho muscular para cada situação.

Segundo Guimarães Neto (2006)

“ Os músculos que são requisitados no movimento do agachamento são o glúteo máximo, isquiotibiais, quadríceps femoral, trapézio, romboides, músculos torácicos e eretores da coluna.

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 No caso das variações como por exemplo o agachamento profundo, teremos os mesmos músculos ativados, porém com maior ação sobre o glúteo máximo, isquiotibiais e quadríceps femoral. É importante observar que todos os grandes músculos, tanto anteriores quanto inferiores, tem solicitação muscular no agachamento. Da mesma forma, com os pés mais afastados, teremos uma ação muscular mais forte nos músculos abdutores e adutores, porém, dependendo de quanto afastamos os pés, a articulação do joelho ficará sobrecarregada por um movimento anti-natural.

Eletromiografia do agachamento

Num estudo de Escamilla e colaboradores (2001) onde foi analisada a ação muscular do agachamento, foram usados como referência, 10 atletas de levantamento de peso. Com diferentes posições dos pés no movimento, foram encontradas diferenças na ação dos gastrocnêmios, principalmente quando se utilizava os pés mais próximos. Após o fim do estudo, foi concluído que quanto maior o grau de flexão dos joelhos, maior será então a solicitação, esta ocorrendo de forma crescente. O mesmo pesquisador afirma que o agachamento tem uma ação maior sobre o quadríceps femoral do que o exercício de leg press.

Desta mesma forma, Gale e colaboradores (1999) realizaram um estudo a fim de verificar qual a ação sobre os músculos isquiotibiais (posteriores da coxa) nos exercícios stiff, leg press e agachamento. A ação muscular do stiff já foi mostrada neste artigo (Levantamento terra e Stiff: Entenda as diferenças e a execução correta de cada exercício). Pra o estudo foram recrutados 11 homens treinados, que realizaram os testes após 2 meses de treinamento. O que foi encontrado nos resultados, foi uma ação muscular mais elevada nos exercícios de leg press e stiff nos músculos isquiotibiais do que no agachamento. Porém é importante ressaltar que a importância dos isquiotibiais no agachamento se dá pela maior solicitação na fase excêntrica do levantamento, principalmente para o controle da flexão do quadril.

Conclusão
Entre tantos outros estudo que tem resultados similares, é possível concluir que o agachamento clássico, com os joelhos até 90° e com os pés posicionados na linha dos ombros, é altamente eficaz na solicitação do quadríceps femoral, e em menor grau do glúteo máximo e dos isquiotibiais. Quando usamos o agachamento profundo, com os joelhos em 45°, temos então uma maior ativação do músculo glúteo máximo e também dos isquiotibiais. Estes últimos, usados principalmente para a estabilização do movimento do quadril. Assim, o agachamento é fundamental para a hipertrofia da parte posterior e anterior da coxa, sendo que juntamente com o leg press e o stiff teremos uma solicitação muscular muito eficiente. Bons treinos!

Referências:
ENOKA, R. M. Bases neuromecânicas da cinesiologia. 2ª d. São Paulo: Manole, 2000.
ESCAMILLA, R. F.; FLEISIG, G. S.; ZHENG, N.; BARRENTINE, S. W.; WILK, K. E.; ANDREWS, J. R. “Biomechanics of the Knee during Closed Kinetic Chain Exercises”. Medicine & Science in Sport & Exercise, Vol. 34, nº 4, abril de 1988, pp. 556-9.
GALE, G.; GLENN, A. W.; THOMAS, H. D. “Electromyographic Activity of the Hamstrings During the Leg Curl, Stiff Leg Deadlift, and Back Squat Movements”. Journal of Strength and Conditioning Research, Vol. 13, nº 2, 1999, pp. 68-174.
GUIMARÃES NETO, W. M. Diário prático de treino com pesos. 3ª ed. São Paulo: Phorte, 2006.

Sobre Sandro Lenzi

Educador físico apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online.

3 Comentários

  1. Mais uma vez um texto bem fundamentado na doutrina e muito bem elaborado. Parabéns!

  2. Professor Sandro, seus artigos não são só matérias em um site, são verdadeiras aulas de cinesiologia, indo muito além do que qualquer leitura disponível na internet hoje em dia. Obrigado!

  3. so artigo bom parabens

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