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Vamos falar sobre liberação miofascial e desempenho físico?

Veja o que os estudos mostraram a respeito das duas principais técnicas usadas para liberação miofacial, em relação a sua eficiência na melhora do desempenho esportivo.

liberação miofascial

Para que possamos conversar sobre isso temos que entender o tecido conjuntivo e a fáscia muscular e depois falarmos sobre as ferramentas e técnicas que prometem trabalhar na melhora do desempenho.

Fáscia é a maneira de chamar o conjunto de estruturas formadas por tecido conjuntivo. Quando estudamos anatomia ou cortamos carne para o churrasco vemos e tocamos nela. É uma faixa com tons claros brilhosos que, no caso do churrasco, reage ao calor se encurtando e deixando a carne mais dura (aconselho retirar ela antes de assar). Pode parecer uma postagem de culinária isso, mas na realidade é só para exemplificar as propriedades elásticas do colágeno. Sim, a fáscia muscular é formada por colágeno, uma proteína formada por 3 fitas que são formadas por vários aminoácidos, entrelaçadas em forma de hélice.

Essas fitas são compostas, principalmente por glicina, mais de 30% de toda a proteína. O resto é composto por prolina e lisina. Esses aminoácidos são organizados pelos ribossomos e são enzimaticamente dependentes da vitamina C. A importância da VIT C é tão grande para esse processo que a sua deficiência gera o escorbuto, que é uma doença relacionada à síntese precária do colágeno e que leva a hemorragias.

A fáscia muscular pode ser mais forte que um cabo de aço, ela tem a função de formar os tendões e permitir um levantamento de cargas inimagináveis.

Muitos profissionais tem aplicado uma técnica de automassagem usando um equipamento que tem formato de rolo de espuma. A justificativa do uso desse equipamento e técnica seria aumentar a “liberação” da fáscia muscular permitindo um alinhamento melhor das estruturas musculares para obter maior ganho de força, potência e por fim, desempenho esportivo.

Mas o que tem sido mostrado na ciência sobre isso?

Estou trazendo um estudo que teve como objetivo comparar os efeitos agudos de uma única sessão aplicada nos membros inferiores usando 2 protocolos:

A) liberação miofascial usando um rolo padrão de espuma (comercialmente vendido);

B) um protocolo de alongamento dinâmico. Os sujeitos eram atletas (n = 14) em uma universidade.

Esse estudo foi cruzado e randomizado e as possíveis melhorias testadas com salto vertical, torque isométrico do joelho, e amplitude de movimento do quadril foi avaliado antes e depois da aplicação das técnicas. Então houve um momento controle (nenhuma aplicação), momento espuma para rolamentos de alcance profundo e momento alongamento profundo.

Os dados encontrados foram comparados usando uma ANOVA para medidas repetidas e nenhuma diferença significativa pré e pós-teste (p > 0,05) entre os grupos para potência de pico (p = 0,45), potência média (p = 0,16), velocidade de pico (p = 25), velocidade média (p = 0,23), pico de torque de extensão do joelho (p = 0,63), torque médio extensão do joelho (p = 0,11), pico de torque de flexão do joelho (p = 0,63), ou torque médio de flexão do joelho (p = 0,22).

No entanto, a única diferença estatística encontrada foi à flexibilidade de quadril após ambos momentos, alongamento dinâmico e rolo de espuma (p = 0,0001). Dessa forma os autores, com base nos resultados encontrados sugerem que, quando não for possível usar a automassagem usando um rolo comercial específico, o alongamento dinâmico pode proporcionar os mesmos resultados nas variáveis de desempenho medidas.

Pois é, mais uma vez eu vejo a nítida necessidade de vender uma intervenção mais glamorosa e “cheia de técnica” que quando posta em cheque pela ciência não passa de apenas uma maneira de deixar as coisas mais enfeitadas para ganhar mais valor comercial. Se você não tem rolos mágicos não se preocupe, conforme o estudo mostrado um bom alongamento dinâmico cumpre o papel sobre a amplitude de quadril. Se achar isso importante para seus atletas aplique com a certeza de que esta usando uma técnica baseada na ciência só que sem fitas e plumas.

Abraço.

Referência:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26121431

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Sobre Dr. Andre Lopes

Dr. Andre Lopes – Professor, palestrante, escritor e cientista. PhD em Ciências do Movimento Humano – UFRGS.

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