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Privação de visão e aumento de força, existe alguma relação?

No meio do treinamento desportivo já se utiliza a privação de visão durante exercícios de força a algum tempo. Veja agora se isso tem realmente ligação com o aumento de força!

Privação de visão e aumento de força

A utilização de diversas variáveis é muito importante para que possamos atingir melhores resultados em termos de desempenho físico. Isso se faz válido com a utilização de meios e estratégias para que possamos ter uma maior solicitação. Para isso, é preciso entender que o corpo não é um amontoado de partes, mas sim um todo. Por isso, algumas situações que aparentemente não possuem maiores relações, podem trazer grandes benefícios.

O caso da privação de visão no treinamento de força é uma destas variáveis que aparentemente não tinham relação alguma, mas que produzem resultados bastante benéficos se usada da maneira correta.

Mas de que maneira a visão influencia na produção de força? De várias formas! A visão é nosso principal sentido sensorial em termos de equilíbrio, coordenação motora e localização espacial. Com isso, quando ela é privada em seu treino, ocorre o que chamamos de respostas adaptativas. Desta maneira, o corpo se vê “obrigado” a melhorar as demais respostas, para que haja uma melhor compensação desta privação.

Veja o que diz a ciência!

Privação de visão e treinamento de força, o que diz a ciência?

Um fator muito importante em termos de treinamento de força é que o sistema visual e sua influência na sensibilidade cinestésica é bastante acentuado. Desta maneira, ele pode interferir na coordenação motora, no equilíbrio corporal e consequentemente, na capacidade de produção de força (Maior e colaboradores, 2007).

Em um estudo de Souto Maior (2007) participaram 12 homens experientes em treinamento de força. Estes apresentaram ganhos de força significativos quando realizaram o teste de 1RM através da privação visual. Porém, o estudo também encontrou um dado interessante. Os ganhos foram maiores para membros inferiores, se formos comparar com os ganhos com membros superiores

Em outro estudo do mesmo autor (2010) foram testadas 11 mulheres. Estas, foram submetidas ao teste de 1RM de duas maneiras distintas: com e sem privação visual. Foi possível concluir que as mulheres apresentaram ganhos consideráveis de força durante o teste com a utilização de privação visual. Porém, desta vez possível encontrar um resultado diferente, com um aumento de força em membros superiores, se comparado ao resultado dos membros inferiores.  

Em outro estudo de Dias (2015) foram testadas 20 pessoas (10 homens e 10 mulheres). Estes eram todos bem treinados, com pelo menos 1 ano de prática sistêmica de treinamento resistido. Os participantes realizaram o teste de 1RM com e sem privação visual. Foi possível verificar um aumento de 4% no teste com privação visual, quando comparado ao teste sem este implemento.

Perceba que em todos estes estudos, a utilização da privação visual trouxe respostas positivas para o aumento da força.

As causas para isso já foram citadas anteriormente, já que a privação da visão promove uma maior “concentração” nos mecanismos contráteis, pela falta de equilíbrio e coordenação motora que ela causa.

Mas de que maneira podemos usar isso em um treino de musculação?

Como usar a privação visual de maneira correta em seu treino de musculação?

O primeiro ponto que quero deixar claro é que não dá para sair usando a privação visual em todos os seus treinos! Ela pode ser muito útil, mas desde que usada da maneira correta e no momento certo. O primeiro ponto a ser destacado então é a questão da utilidade disso. Muitas pessoas confundem aumento de força com hipertrofia muscular acentuada, algo que na maioria das vezes, não é totalmente interligado.

Não que não deva haver aumento de força para a hipertrofia, mas esta não é a única base. Portanto, a utilização de privação visual deve ser feita apenas nos momentos em que seu objetivo principal é justamente o aumento da força. Em outras fases da periodização isso não se faz necessário!

Outro ponto a ser levado em conta é a necessidade de você usar uma estratégia como esta. Se você é um iniciante, qualquer estímulo bem aplicado irá gerar melhora da força, sem que haja a necessidade de privação visual. Já se você treina há mais tempo e enfrenta dificuldades em obter um aumento de força, esta pode ser uma boa possibilidade de trabalho. Aqui é muito importante levar em conta a individualidade de cada pessoa, para que possamos ter resultados interessantes para quem realmente tem esta necessidade. Senão, toda pessoa cega seria um Powerlifter de respeito!

Além disso, temos um outro dado interessante que os estudos nos mostroaram. Aparentemente, a prática de treinamento de força feito com a utilização de privação visual parece ser mais efetivo em grupos musculares são habitualmente menos treinados. Desta maneira, através da privação visual temos uma melhora dos mecanismos reflexos e dos princípios homeostáticos, que auxiliam no aprimoramento de nosso comportamento instintivo, que tem como função a regulação das ações motoras.

Desta maneira, fica muito claro que a utilização da privação visual em treinamentos de força é sim efetiva, desde que aplicada no contexto correto e com o devido acompanhamento.

Tudo isso pode ser descrito em sua periodização, para que em dados momentos, utilize-se destas estratégias para este objetivo em específico, ou ainda, você pode usar o treinamento com privação visual como uma possibilidade de melhorar algum aspecto específico.

No final, o que fica claro é que a estratégia é muito interessante, mas precisa ser bem utilizada. Tenha sempre o acompanhamento de um profissional em seus treinamentos! Bons treinos!

Referências:
Dias, S.C. Privação de visão no teste de 1RM. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, 2015.
Souto Maior, A. Apud. Resposta da força muscular em mulheres com a utilização de privação visual no teste de 1RM. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, 2010.

Sobre Sandro Lenzi

Educador físico apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online.

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