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Memória Muscular, porque nos ajuda hoje e porque poderá nos ajudar no futuro?

A memória muscular é um tema muito comum no dia a dia das academias e centros de treinamento. Mas será que ela existe mesmo?

Memória Muscular

 

Por razões que não veem ao caso, você precisa parar de treinar por algum período. Neste tempo, você obviamente perde sua condição e a forma. Afinal, é natural acontecer isso, quando não estamos treinando. Porém, após tal período de inatividade, você resolve voltar a treinar. O que te surpreende é que rapidamente, sua condição anterior, retorna.

Você consegue, muito mais rapidamente, voltar a um patamar próximo do que estava. Isso é o que chamamos de memória muscular.

Porém, a memória muscular é algo que intriga, até mesmo os cientistas. Afinal, não há um parâmetro específico para ser seguido e ela é muito diferente, de pessoa para pessoa.

Veja agora, uma pesquisa que mostra um pouco mais sobre a questão da memória muscular!

Memória muscular, um estudo muito relevante!

Pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, atestaram que nos camundongos esta memória chega a ser mantida por cerca de 3 meses, um tempo bem extenso para animais que vivem em média 2 anos.

Os músculos são formados por células longas, salpicadas de núcleos, denominadas miócitos, e são estes núcleos existentes nestas células que controlam o ganho de massa muscular.

Por isso, quando realizamos exercícios físicos e exigimos “algo mais” de nossos músculos, novos núcleos são criados, com o objetivo de gerenciar esta exigência, promovendo assim o crescimento muscular.

Até aí, nada novo, mas o que os cientistas noruegueses descobriram, é que mesmo com o desuso destas células, por longos períodos, elas não morrem, apenas diminuem de tamanho, reduzindo seu volume.

Entenda a pesquisa:

  • No experimento um dos músculos das patas dos camundongos foi cortado, sobrecarregando o outro;
  • Este “novo” músculo foi sobrecarregado e se desenvolveu intensamente durante 10 dias de observação e acompanhamento;
  • Após este período, o mesmo músculo foi retirado e levado à atrofia;
  • Passados 14 dias, seu volume diminuiu muito, porém o número de miócitos (núcleos controladores das células) manteve-se inalterado;
  • A observação manteve-se por mais tempo, e até um longo período de 3 meses, os núcleos mantiveram-se sem nenhuma alteração.

Este estudo não contrariou diretamente artigos já divulgados no meio da saúde sobre os assuntos “Memória Muscular” e “Atrofia Muscular”, mas complementou-os com a informação de que, mesmo ocorrendo a apoptose (morte celular) das fibras musculares, e consequentemente a atrofia muscular, os núcleos desenvolvidos nos tecidos musculares não vinham a ser extintos.

Um estudo amplo como este, abre uma série de discussões sobre a memória muscular. Afinal, como desenvolvê-la? De que forma otimizar os ganhos quando voltamos a treinar? É possível usá-la várias vezes?

Memória muscular na prática

Em termos diretos, práticos, a memória muscular é a capacidade que o corpo tem, de voltar a uma condição antiga, recebendo novos estímulos.

Em termos de treinamento, é importante ressaltar alguns pontos. A memória muscular está diretamente ligada a capacidade de treinamento de cada indivíduo. Quanto mais apto ao desenvolvimento físico, mais facilmente ele conseguirá reconquistar o nível anterior. Portanto, aqui já temos uma particularidade. Pessoas que não tenham uma aptidão física na média, tendem a ter menos memória muscular.

Além disso, a memória muscular também está relacionada, de forma direta, com seu nível de treinamento. Quanto mais treinado você for, maior será o impacto da memória muscular quando você retornar aos treinos. Por isso, que um iniciante não terá um grande desenvolvimento da memória muscular.

Da mesma forma, a idade impacta fortemente na memória muscular. Pense da seguinte forma: um adolescente que foi altamente ativo, um atleta amador e que por razões de rotina de estudos, deixou de treinar.

Quando ele voltar a treinar, mesmo que isso ocorra anos depois, ele ainda terá memória muscular. Ele conseguira, muito mais rápido do que alguém que sempre foi inativo, chegar a um bom nível de treinamento.  Já se o mesmo caso ocorrer com uma pessoa que passou dos 40 anos, a memória muscular não será tão evidente. Por isso, ela é diretamente afetada pela idade.

Além disso, a memória muscular também pode ser afetada pelo tempo que você fica inativo. Quanto maior o tempo, menor será o impacto da memória muscular sobre seu treino e sua condição física.

Memória muscular, como ela afeta seu treino?

Memória muscular como funciona

A memória muscular, em termos fisiológicos, nada mais é do que um lastro de condição física. O corpo foi submetido a uma adaptação e mesmo que, após um período sem estímulos, os mecanismos que geraram tal adaptação, ainda estão ativos.

Por isso, a memória muscular nada mais é do que um mecanismo do corpo, para manter uma adaptação positiva.

Mas de que forma isso influencia seu treino?

Irá influenciar se você ficar um tempo sem treinar. Seja por lesão, cirurgia ou mesmo, por sua rotina. Somente desta maneira, a memória muscular será de fato, usada.

Caso contrário, ela será apenas uma “reserva”.

Mas como ninguém está livre de ficar alguns meses sem treinar, é importante desenvolver os mecanismos que melhoram a memória muscular.

Por isso, é importante, antes de qualquer coisa, desenvolver um bom nível de treinamento quando possível. Se você alcançar um nível de força, resistência e hipertrofia, que seja considerável, caso precise parar de treinar, não perderá tanto na volta.

Desta maneira, é importante que seu treino seja muito bem estruturado, para que você tenha melhores resultados.

Salvo casos de cirurgia ou lesão, onde você invariavelmente irá precisar ficar sem treinar, nos outros casos, é possível reduzir os efeitos da inatividade.

Mantenha-se ativo, da forma mais adequada possível. Mesmo que você não esteja fazendo musculação, fará com que você não perca tanto condicionamento. Com isso, ao retornar aos treinos, sua memória muscular será menos impactada e você recuperará mais rápido, o nível de treinamento.

A memória muscular é um importante componente da vida das pessoas que treinam de verdade. Ela será muito importante, caso você tenha algum imprevisto e tenha que parar de treinar por algum tempo.

A memória muscular é uma das funções desta fantástica máquina que é o corpo humano.  Use-a, caso tenha a necessidade. Treine sempre com a ajuda de bons profissionais! Bons treinos!

Referências:
J Exp Biol. 2016 Jan;219(Pt 2):235-42. doi: 10.1242/jeb.124495. Muscle memory and a new cellular model for muscle atrophy and hypertrophy. Gundersen K1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26792335

Sobre Sandro Lenzi

Educador físico apaixonado pelo desenvolvimento humano. Atuo como produtor de conteúdo, personal trainer e com consultoria online.
CREF: 22643-G/SC

6 Comentários

  1. Este site é pura informação nota 1000 mestres do bodybuilding

  2. Muito bom! nunca li nada sobre.
    O site, para ficar mais top, poderia colocar algumas referências e tals…

  3. Muito Bom, Porem a Informação sobre os 3 Meses não é tão correta assim, Testes assim ainda não foram feito em Humanos so em Ratos, esses 3 meses de Memória Muscular foram diagnosticadas em Ratos, que tem só 2 anos de Vida Maxima,A pesquisa foi realizada por um grupo de cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega. Por meio de testes com Camundongos, eles descobriram que mesmo interrompendo o treinamento por um tempo, as pessoas conseguem fazer com que a quantidade de miócitos permaneça praticamente inalterada após essa pausa, nos Humanos que temos uma vida muito maior, e uma capacidade muscular muito maior, creio que não se compara! na Minha Opinião a Memória Muscular Humana, pode pendurar por muito mais tempo.

    • Pelo amor de Deus Cícero! Qual matéria você leu? Evidentemente que do texto acima se depreende que os três meses se referem exatamente a relação tamanho e consequente peso do animal x expectativa de vida dele. Em nenhum momento o texto narra que em humanos a memória muscular perduraria apenas por esse período de três meses. Muito pelo contrário, a matéria é clara nesse sentido, informando a ausência de realização de testes em humanos, mas cogitando que a prevalecer essa relação, considerando o maior tamanho e peso dos humanos x sua maior expectativa de vida, levaria a se pensar que essa memória muscular também perduraria, proporcionalmente, muito mais nos humanos. Acorda Cícero!!! Antes de afirmar uma incorreção num texto, se dê ao trabalho de ao menos ler a toda a matéria!!!

    • E,mais foi isso mesmo que a informação do site quis falar.

  4. Não existe memória muscular, o que existe são células satélites e a quantidade destas é que permite o retorno ao desempenho mais rapidamente.

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