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Agachamento 90° ou 140° graus?

Veja o que os estudos mostraram em relação a ativação muscular no agachamento 90° em comparação ao ângulo de 140° de flexão dos joelhos.

Agachamento 140 ou 90 graus

Acredito que não tenha algum aluno ou profissional de educação física que presenciou uma discussão, seja em aula ou redes sociais, sobre os ângulos do agachamento. Nossa isso já deu muito mimimi… Quando entravam os médicos então… Rolava até umas faíscas. Não pode agachar mais que 90° para não dar lesão… Para trabalhar mais o movimento natural do ser humano tem que ser mais que 90°, e por ai se iam às discussões.

Sem dúvida alguma os exercícios que envolvem o agachamento são ferramentas poderosas no processo de construção de atletas. Com ele se tem aumento de força em músculos do quadril, de extensão de joelho e flexores também. Os benefícios vão para atletas e, claro, para saúde física da população em geral.

Diversas variações podem ser feitas, envolvendo posicionamento dos pés, onde que a carga é posta referente ao corpo do sujeito, o posicionamento dos braços e obviamente a amplitude de execução do movimento.

Para verificar o grau de ativação muscular de um exercício geralmente usando a eletromiografia, que permite verificar a força e a frequência que os músculos estão sendo ativados. É uma metodologia aceita e amplamente usada.

O que os estudos mostraram?

Entretanto, existe limitações importante frente ao método, principalmente relacionado a colocação dos eletrodos. Em uma revisão de 144 trabalhos, Hermens et al (2000) verificou uma grande variabilidade de metodologias para aplicação da eletromiografia.

Além disso, o método recebe influencia de sinal de diversos processos ambientais, que são chamados de ruídos. A eletromiografia mesmo assim é a maneira mais eficiente de se analisar ativação muscular com grau mínimo de exposição do sujeito.

Frente a algumas dúvidas relacionadas a ativação muscular um grupo de pesquisadores decidiu analisar e comparar os ângulos da articulação da do joelho e a maior ativação muscular em isometria. Esse estudo foi publicado recentemente E teve o objetivo de avaliar a ativação muscular isométrica máxima dos membros inferiores durante três posições diferentes do joelho no exercício de agachamento.

 Os sujeitos tinham que realizar força contra um equipamento de Hack com travamento dos ângulos propostos e desenvolvendo a força isométrica máxima. O achado principal deste estudo foi que, durante o agachamento isométrico, a posição de 90° da articulação do joelho foi a que apresentou a maior ativação muscular do quadríceps e glúteo máximo, enquanto o ângulo de 140° do joelho apresentou os menores valores de ativação muscular para quase todos os músculos que participam da ação.

Curiosamente, a ativação do tendão não mudou entre os diferentes ângulos testados do joelho. A principal limitação do estudo, conforme os autores, diz respeito a não ter havido um controle de ângulos do quadril e ter sido aplicado apenas em sujeitos saudáveis e fisicamente ativos, eles colocam que o número de pessoas no estudo é um limitante.
Não consigo aceitar isso como limitação, como pode não ter cálculo amostral em um estudo que se propõe a ser internacional?

Os autores então concluem que a posição do joelho altera ativação dos músculos do quadríceps e os músculos glúteos. Uma isométrica no agachamento a 90° gera a maior ativação muscular no geral, e se esta isométrica for aplicada durante o agachamento a 140° gera uma menor ativação muscular global. Pode-se concluir que o ângulo do joelho não afetou a ativação muscular dos ísquios tibiais.

Leia também: 5 erros mais comuns no agachamento e como evitá-los!

Será que esses resultados podem ser transferidos para pratica de forma efetiva? Lembre que foi uma isometria no ângulo de 90° que apresentou maior ativação. Será que essa ativação maior se perpetua caso a análise fosse dinâmica?

Deixo essas e outras perguntas para vocês responderem.

Abraço.

Referência:
http://www.hindawi.com/journals/jsm/2016/3846123/

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Sobre Dr. Andre Lopes

Dr. Andre Lopes – Professor, palestrante, escritor e cientista. PhD em Ciências do Movimento Humano – UFRGS.

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